Você já viu alguém comprar uma máquina de envase no meio de uma feira? Eu também não. E foi exatamente isso que destravou o projeto inteiro. Bem de capital não se compra no balcão, então a Fispal não podia ser tratada como vitrine de venda. Ela tinha que virar outra coisa: relacionamento e pipeline.
Tags
Cliente
Feito por
Ano
Quem é a Serac
A Serac é uma multinacional francesa, líder global em máquinas de envase e embalagem (sopro, enchimento e tampamento) para laticínios, bebidas e higiene. Produto pesado, ciclo longo, cliente técnico. Uma máquina dessas leva de seis a oito meses para ser construída, especificada e aprovada. A própria cliente resumiu logo na primeira conversa: “é muito difícil a gente fechar alguma coisa na feira, ali é mais aquele momento de network, de troca, de projeto futuro”.
Quando a feira é relacionamento, e não venda no balcão, a comunicação não pode ter cara de panfleto. Precisa começar uma conversa que dura meses.
Desafio
O retrato que talvez seja o da sua empresa
A Serac chega à Fispal com mais de 20 anos de feira nas costas e a força de uma marca global. Mas tem um detalhe que é o coração dessa história: por trás de um estande com cerca de 18 pessoas atendendo (vendedores, pós-venda, engenharia e projetos), a comunicação roda com uma estrutura de marketing bem enxuta, acumulando feira, estande, disparos e LinkedIn ao mesmo tempo.
Se você é de uma indústria, provavelmente reconheceu a cena. Produto excelente, time técnico forte, e a comunicação disputando espaço com mil outras prioridades. A boa notícia desse case é justamente essa: dá pra fazer comunicação de feira que parece de empresa grande mesmo com uma estrutura enxuta. O que muda não é o tamanho do time, é o método. Tanto que a Fispal 2026 foi a primeira vez que a Serac fez uma ação coordenada de comunicação no LinkedIn aqui no Brasil. A primeira mesmo.
O alvo
Transformar presença em pipeline. Presença coesa nos quatro dias, captura qualificada de contato e continuidade da conversa depois que a feira acaba. Tudo com os canais que a operação realmente sustenta (LinkedIn, WhatsApp e e-mail via CRM), sem inventar mídia que ninguém ia conseguir tocar.
O briefing que não veio pronto
A primeira conversa não foi um briefing fechado. Foi a cliente abrindo a tela, me mostrando projetos de estande e pensando em voz alta. No meio disso saíram as dores reais: as fotos do estande que se perdiam (“se eu marco um, marco outro, fica ruim”), o credenciamento que vale ouro, e a vontade de deixar a marca mais presente sem cair no clichê. Meu trabalho ali foi menos executar peça e mais organizar essa vontade em estratégia.
Três aprendizados viraram decisão:
- em feira de bem de capital, ninguém fecha no estande, então o alvo é pipeline, não venda;
- a própria feira premia quem credencia mais: bater marcas de credenciamento rende logo no mapa e banner no corredor, ou seja, comunicação que se paga em visibilidade;
- foto de frasco confunde (em anos anteriores o público chegava perguntando “vocês fazem embalagens?”), foto de máquina esclarece.
Estratégia
Quatro movimentos que se puxam
Nada ali foi post avulso. Pensei a campanha como uma engrenagem, bem a cara da cliente: cada movimento existia pra alimentar o próximo, do primeiro convite até o follow-up muito depois da feira.
Credenciamento como motor
O código de cortesia SDB100 virou o centro de gravidade da campanha no LinkedIn. Converter seguidor em visitante credenciado tinha um bônus concreto: quanto mais a Serac credenciava, mais a própria organizadora dava destaque à marca. O esforço de comunicação se pagava em visibilidade.
Captura e continuidade do lead
A galeria de fotos própria (que virou um case à parte, o Serac Eventos) entrou como ferramenta de captura. E o follow-up pós-evento foi segmentado entre cliente e lead novo, uma vontade dela: depois do evento, mandar um “lembra de você, passou pelo nosso estande”. Foi a primeira vez que a operação fez esse follow-up segmentado, e abriu uma porta nova.
Pós-venda em destaque
Dar palco para o serviço local de peças e manutenção, um diferencial forte da operação brasileira que merecia mais destaque na comunicação.
Máquina, não frasco
Três decisões de tom seguraram a coerência do começo ao fim. Fiel ao brandbook, mas com vida: base institucional, usando o sistema de cores, o gradiente e os elementos gráficos da marca pra não ficar dura. Máquina, não frasco: fotografia de equipamento, indústria e gente em ação, porque comunicar produto técnico é, antes de tudo, não confundir quem olha. Voz técnico-consultiva: falar primeiro do desafio de quem está do outro lado e só depois da solução. Tudo amarrado por um fio condutor, da presença global à conversa local.
Mais de 30 peças, em três fases
Mais de 30 peças em três fases, nas cinco frentes (LinkedIn, WhatsApp, e-mail, estande e web). Só no LinkedIn foram 14: no pré, 2 convites, 6 depoimentos da liderança e 1 vídeo de bastidores da montagem; no durante, a cada um dos quatro dias, um vídeo de retrospectiva do dia com depoimentos da equipe Serac e trilha sonora feita com IA (ElevenLabs), editado e postado ainda quente; no pós, 1 post de agradecimento. Fora do LinkedIn, ainda teve o kit de perfil para a equipe, a régua de 3 e-mails no CRM, 3 fluxos de WhatsApp, os painéis e o display com QR Code do estande, e a galeria de fotos. As peças gráficas e impressas foram conduzidas pela Nathalia.
O que fica é importante
Do primeiro papo à feira (e a parte invisível)
Esse projeto não foi “recebe briefing, entrega arquivo”. Foram meses de conversa, com a Serac perto a cada passo: um documento compartilhado onde a gente alinhava peça por peça e ia refinando junto. Essa proximidade foi o que deixou a campanha afiada.
E teve uma entrega que não aparece nas peças, mas vale tanto quanto: deixar a marca no controle. Em vez de entregar e sumir, montei o passo a passo pra equipe da Serac tocar tudo de forma independente, do kit de perfil do LinkedIn à galeria de fotos, com tutoriais gravados. O resultado é uma campanha que segue de pé sem depender da gente. Boa parceria, pra mim, é essa: a marca fica dona da própria operação.
O resultado (e por que pesa em B2B)
A Fispal 2026 foi a primeira ação coordenada de comunicação da Serac no LinkedIn aqui no Brasil. E saiu do papel com resultado: as publicações somaram mais de 550 interações (494 reações, 43 compartilhamentos e 14 comentários), numa página de quase 40 mil seguidores.
Vale o contexto: isso é B2B, não B2C. O público de uma indústria de máquinas de envase é estreito e técnico, e não curte nem comenta como numa marca de consumo. Pra esse mercado, esse tanto de interação pesa bem mais do que pesaria num feed aberto. Do lado da captura, a galeria própria publicou 108 fotos ao longo dos quatro dias.
O que a Serac falou
Nossa experiência com a Weba tem sido maravilhosa. Eles entregam um trabalho com eficiência, flexibilidade, ajudam a encontrar a melhor solução em comunicação e a trazer as tendências atuais do mercado.
Wanessa Gagliardi - Marketing da Serac
Presença em feira não é evento, é sistema. Quando você decide, antes de desenhar qualquer peça, o que a feira significa pro negócio, o post, o e-mail, o painel e a foto param de ser itens soltos e viram um caminho só. E a cliente já disse que quer que essa seja a primeira de muitas. Pra mim, isso vale tanto quanto número.