A cliente não me passou um briefing. Me passou um desejo. Em palavras dela: queria uma página onde a pessoa fizesse a foto, ganhasse um QR Code e ela mesma já tivesse acesso, pra postar e marcar a marca. Sem escopo, sem fluxo, sem referência. E é aqui que começa o trabalho de design de verdade, o que nenhuma ferramenta faz por você: transformar um desejo cru em produto.
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Quem é a Serac
A Serac é uma multinacional francesa, líder global em máquinas de envase e embalagem para laticínios, bebidas e higiene. Em eventos como a Fispal, ela gera um ativo valioso e perecível: a foto do visitante no estande.
O problema não era técnico. Era de experiência e de janela de tempo. Quem me contou foi a própria cliente: no estande, ela tirava as fotos no celular e, na correria, “às vezes eu consigo passar a foto para o cliente, às vezes não. Se eu marco um, marco outro, fica ruim”. Foto de evento tem prazo de validade emocional. Vale enquanto o sentimento está fresco. Entregar três dias depois, por e-mail, sem a marca, desperdiça o melhor do momento.
Desafio
De um desejo a um produto digital
O desafio era fechar essa janela: da foto tirada até a foto na mão da pessoa, com a marca junto, no menor tempo possível.
E a ideia tinha uma linhagem. Na festa de 40 anos da Serac, havia molduras de foto físicas: a pessoa tirava o retrato, encaixava na moldura da marca e levava o momento pra casa. A plataforma da Fispal é a evolução digital daquela mesma vontade, agora ao vivo e em escala, para o uso prático no stand da Serac na Fispal 2026.
Deixando um ativo
Fechar a janela de tempo e, de quebra, construir um ativo. Não um site de uso único, mas um portal reusável que a marca pudesse levar pros próximos eventos.
Três pessoas, três necessidades opostas
Estruturar a vontade da cliente era metade do trabalho. A primeira decisão foi entender que isso não era “um site de fotos”. Eram três pessoas com necessidades opostas convivendo no mesmo produto:
- Visitante: emoção imediata e fricção zero. Nada de login, nada de app pra baixar, nada de espera.
- Equipe de campo: opera em movimento, com pressa, às vezes com uma mão só, segurando o celular no meio da feira.
- Administrador da Serac: precisa de controle, aprovar, organizar, baixar em lote, gerenciar quem faz o quê.
Estratégia
Comecei pelas regras do jogo
Desenhar pras três sem que uma atrapalhasse a outra foi a espinha de tudo. Então, antes de abrir qualquer tela, resolvi as regras do jogo: quem manda em quê, o que cada papel pode fazer e os limites que o produto nunca pode cruzar.
UX dirigindo a IA
Eu não entreguei só especificação pra alguém codar depois. Dirigi a IA como camada de execução, sob direção de design. A marca tinha um guia institucional, mas isso não diz como um produto web deve se comportar. Em vez de travar esperando um design system de produto (um manual com as cores, as fontes e as peças prontas pra montar as telas) que não existia, coloquei a IA pra ler o CSS do site da Serac, o código que define a aparência das páginas, e tirar dali as cores, a tipografia, os cantos retos, o jeito dos botões e blocos. O site novo herdou o sotaque da marca-mãe sem eu ter recebido nenhum arquivo de interface. Mas a IA não decidiu nada sozinha: as decisões de interface e a memória de projetos anteriores com a Serac foram minhas. A IA leu e juntou o que se repete. A direção foi humana.
Decisões de UX, com o porquê
Tempo real porque é experiência, não enfeite: a foto aparece sozinha na tela do visitante, sem ele precisar puxar pra atualizar. Moldura na hora porque a marca tem que chegar junto com a emoção, no clique. Captura pensada pro mundo real, porque a feira não perdoa: operação com uma mão, modo contínuo e backup no próprio aparelho, que a cliente resumiu sem eu pedir (“vai que dá algum problema no sistema no dia, pelo menos fica salvo no celular”). Dá pra instalar como app na tela inicial do celular (o que se chama PWA), sem passar por loja de aplicativos, porque a equipe não ia baixar um app só pra isso. E uma decisão de gente grande: o sistema nunca pode ficar sem um administrador principal ativo (a conta que controla tudo), porque um erro sem volta no meio da feira travaria a operação.
O domínio também foi decisão de produto
Registramos seraceventos.com por dois motivos: é bom pra quem procura no Google e, principalmente, um nome sem o ano e sem o nome da feira permite reaproveitar o portal em qualquer evento futuro. Desde o domínio, a ideia era ativo, não descartável.
O sotaque da marca, herdado do código
A plataforma fala Serac sem ter recebido um manual de interface pronto. As cores quentes da marca, os cantos retos e os textinhos diretos dos botões e avisos vieram da leitura do material visual que já existia, estendido com coerência onde dava e respeitado à risca onde precisava.
O que foi entregue
As três superfícies, um sistema só
Para o visitante, uma galeria pública que atualiza sozinha em tempo real, um download que já aplica a moldura da marca ali no celular e o compartilhamento direto. Para a equipe, uma captura com recorte, modo contínuo e backup no aparelho, que dá pra instalar como app. Para o administrador, uma área de moderação com fila de aprovação por link seguro, download de várias fotos de uma vez (num arquivo ZIP) com barra de progresso e upload arrastando e soltando, além de molduras por galeria, níveis de acesso (da equipe ao administrador principal) e regras de segurança que controlam quem pode ver e mexer em cada coisa. E tudo isso num portal que serve pra vários eventos, o Serac Eventos.
Iterando através da pesquisa
A pesquisa que virou produto
Com o sistema de pé, montei a plataforma e levei pra produção.
Antes de chamar de pronto, sentei com a usuária navegando de verdade, ela falando em voz alta. Como ela ia operar a plataforma no dia e treinar a equipe, não era só uma “usuária de teste”, e a usabilidade real apareceu rápido. Quatro coisas saíram dali e viraram produto: as fotos organizadas por dia, a home virando a tela de aprovação (a mais usada pela operação), correções de responsividade no celular e o convite de instalar o app, que atrapalhava a leitura e foi movido pra dentro do menu. Pra fechar o ciclo, gravei tutoriais curtos pra a equipe tocar sem depender de mim.
O todo do design (e o que fica)
A plataforma foi do desejo cru ao ar, funcionou nos quatro dias e publicou 108 fotos na galeria durante o evento.
E, pro longo prazo, ficou de pé como portal reusável pros próximos eventos da marca.
Esse projeto não cabe na caixinha de “tela bonita” nem na de “experiência do usuário”. Ele pediu o arco inteiro: entender um desejo vago e transformar em escopo, decidir pra quem estou projetando, desenhar a estrutura e os caminhos, testar com gente de verdade, montar o sistema visual e a interface no ar, escrever os textos da tela, escolher o nome do domínio e pensar a entrega pro cliente. A IA acelerou a execução. Costurar essas pontas numa coisa só, com direção e critério, continua sendo trabalho de gente.
O que a Serac falou
A própria cliente resumiu, em um depoimento em vídeo sobre a Weba:
Trabalhar com a Weba tem sido uma experiência fantástica. Pontualidade, comunicação, agilidade no processo, e eles acompanham as tendências, trazendo uma pegada mais moderna para o marketing. Super recomendo, e não troco mais.
Wanessa Gagliardi - Marketing da Serac